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Escritora: Nilza Freire
Artista: Ligia DeSá
Direções
Agridoce e saborosa vida...
Por vezes embala-nos carinhosa e amiga;
Em outras, atinge-nos como flecha impiedosa,
abrindo feridas
Entre encontros e desencontros no labirinto das emoções,
É ampla e farta a escolha de direções.
Rodopiamos como tontos, loucos, humanos piões.
Nem sempre o virtuoso caminho é o que mais atrai os sentidos
A sereia com seu canto seduz homens iludidos.
Bravo é quem segue rotas alternativas sem receio dos perigos.
Vejo estradas retas, redemoinhos, curvas sinuosas,
Vívidas, iluminadas ou opacas, silenciosas.
Procuremos então deixar rastros de escolhas sensatas e venturosas.
Se a vida é uma incógnita, enigma eterno e imenso,
Sigamos nosso instinto, farol de brilho intenso,
Que o porvir será de sorte,
Âncoras de aço forte, onde quer que o navio aporte.
1º Lugar como escritor
Escritor: Augusto Lopes
Artista: MCarmo
Mãe Natureza, morrendo lentamente
Sufoco ao te ver lentamente morrer
Tu, que foste aos olhos de Deus
A sua mais bela Criação
Orgulho destes filhos teus,
Mãe Natureza_berço desta Nação,
Ovo da Vida e transformaçâo.
Tudo fora por Ele bem planeado:
“Cuidai, meus filhos, o que vos deixo, e vivereis,
Destruí o que vos resta e perecereis!”
E assim se dividou o Paraíso para os protectores
E o Inferno para os amigos do Diabo.
Mas a coexistência não foi fácil
E cedo vieram as atrocidades
Todo o Bem se transformou em Mal:
Teus filhos matando teus animais, queimando teus vales
Derrubando tuas árvores, construíndo fábricas
Junto a teus rios fizeram lixeiras
Esqueceram-se que se alimentam deles
De seus peixes, água e sal.
Agora em teus rios corre teu sangue,
Em teu mar, tuas entranhas se amontoam de lixo e moléstias
Teus vales são desfiladeiros para a morte
Ainda mais atrozes que Hiroshima e Auswitch,
As fábricas que te rodeiam são berço de toxinas de má sorte.
Que alimenta e mata tuas folhas, troncos e raízes já doentias
E sentencia a vida neste jardim de Éden
Como uma torneira que preludia seu fecho, para sempre!
E cada dia que passa
Mãe Natureza ficas mais doente,
Onde outrora havia praias calmas e serenas
Com água límpida e transparente
Geram-se agora maremotos, chuvas ácidas e ciclones
Tal é a tua dor, Mãe querida, que tanto sofres,
E olhas impávida nossas mãos, nelas o sangue, de tuas veias, que corre!...
2º Lugar como escritor
3º Lugar como escritor
Escritora: Juçara Valverde
Artista: Nobuo Nakatani
MINHAS FACES
Como Janus sou mudança e transição.
Parto do início sem ver o fim
porque percorrendo entradas
nem sempre acho as saídas.
Trago do passado a procura
de que o tempo resolva o futuro.
Mas como o ontem deixou rastro
o hoje mostra minhas faces.
E onde no antes o medo e a incerteza
faziam festa em rodopios
o depois mostra
todas elas numa só.
E entre cores e tintas
a liberdade das palavras
retrata sentimentos.
É o diálogo da tela com o papel.
Menção Honrosa
Escritora: Ana Luiza Almeida Ferro
Artista: Elsie Paiva
UM BRINDE À FELICIDADE!
Um brinde à felicidade!
I
Que venha em taças deslumbrantes,
do mais puro e reluzente cristal,
a revelar bolhinhas saltitantes
brincando, travessas, em recital!
II
Que seja sorvida prazerosamente,
somente alguns goles por vez,
ou saboreada de um ímpeto ardente,
a coroar tudo o que se fez!
III
Que não se encerre em um cartão
petrificado no conforto da madeira;
que se abra em pétalas para o coração
transpassado pela flecha certeira!
IV
Que celebre as bênçãos da vida,
servidas em taças meio cheias,
sempre renovadas a cada pedida,
nunca relegadas ao pó de teias!
V
Que acolha as incertezas do amanhã,
servidas em taças meio vazias,
vedadas à sedução da ilusão vã,
preenchidas pela espuma dos dias!
VI
Que se cubra de flores viçosas,
alvas, singelas, de botão colorido,
a se debruçarem sobre taças vistosas
até jazerem rendidas ao Cupido!
VII
Que receba delicadamente as flores
sós, mudas, caídas aos pés do vaso,
a exalarem perfume nos estertores,
ao lado da pérola brilhando ao acaso!
VIII
Que seja compartilhada a dois
na troca de taças dos nubentes
e feita de sonho, feijão e arroz,
contas de um colar de sementes!
IX
Que navegue em águas espumantes,
degustada por bravos gregos e troianos
à mesa posta ou no leito dos amantes,
sem culpas, sem mágoas, sem danos!
X
Que seja eterna enquanto dure
e dure enquanto for terna;
que seja suave enquanto cure
alguns pecados da taberna!
Um brinde à felicidade!
Tim-tim!
Escritora: Basilina Pereira
Artista: Silvana Borges
SÚPLICA
I
Dois corpos entrelaçados inundam a cena,
pele em brasas sem vento nem maresia,
um só ato, um hiato, o verso mudo de um poema.
II
O calor que ainda exala do momento
ferve em cores, mimetiza, deixa o silêncio agitado,
enquanto as pálpebras se juntam num lamento
III
e desenham, na paixão, fragmentos de um abraço.
Por dentro, o frio e a dor querem prender a hora numa lágrima
de súplica que abarca feito compressão de laço,
IV
navalha que rasga a carne sem sangrar.
A hora-fim ameaça em tons laranja
o verde musgo que faz da relva o seu lar,
V
braços cegos tateiam e já sentem saudade
da emoção que se confunde com a esperança
de fazer daquele instante eternidade.
Menção Honrosa
Menção Honrosa
Escritora: Brenda Mar(que)s Pena
Artista: Valéria Franco
Traços ancestrais
Sorri largo curumim!
Com teu olhar jamais mentes
Com teus colares de sementes
Com cores que falam tanto a mim.
Sorri largo curumim!
Com teu sorriso teces esperança
Com esta tua singela vida de criança
Tu dizes muito mais sobre tudo a mim!
Sorri largo curimim!
Porque tuas mãos expressam gratidão
Porque a terra nunca negará o teu grão
E assim transmites tua sabedoria a mim.
Sorri largo curumim!
Enquanto uns matam por mera ganância
És correspondente de paz desde a infância
E tuas mãos e teus olhos ensinam tanto a mim.
Sorri largo curumim!
Porque tua alegria traz tamanha bondade
Porque o antídoto contra toda a malignidade
São teus traços ancestrais de ternura em mim.
Menção Honrosa
Escritora: Carla De Sà Morais
Artista: Nequitz
NENÚFAR
Deslizar nas palavras e nos actos
Qual ribeira calma circundando o vale
São perícias de momentos controversos
Quisesse eu
Um dia nesse deslize
Ter a leveza dos nenúfares
Que em cores subtis
Desabrocham nesses leitos
De correntes sinuosas
Ou na quietude dos lagos
Sem nunca perderem de sua beleza
Entre alvoradas e crepúsculos
Florescem das águas profundas menos límpidas
Abrindo suas pétalas puras à luz
Isentas das sombras lamacentas por onde veiculam
Sonhasse eu
No deslize das palavras e dos actos em que mergulho
Ressurgir em tal pureza e perfeição
Menção Honrosa
Escritora : Lúcia Amélia Brüllhardt
Artista : Hosana Araujo
CAVALEIRO TAMPLÁRIO
Não Seu Moço ! Eu não quero pegar carona no dorso de seu Cavalo Alado.
Sou um Cavaleiro viajante destemido e seguro, que com minha experiência tenho belas histórias para contar.
Nos bons momentos de minha vida, onde tudo era flores e cores, o céu brilhava azul da cor do mar.
A felicidade era tamanha que não tenho palavras para expressar.
O cheiro deslumbrante de jasmin, arruda e alecrim pairavam no ar.
O amor era a força maior, que regia nossas vidas e corações.
Frutas, flores, rosas, luzes, emoções…
Lembrei da boca carnuda, encarnada com gosto de romã, do beijo roubado a luz da lua, onde minha mão tocava sua pele fina, linda, nua.
O verde da floresta me fazia sonhar com teus olhos esmeraldas. Nesta utopia, cavalgo direção a uma nova estação lunar.Sem esquecer que a vida é breve e efêmera.
Observo está tela Seu Moço,e não quero tripudiar, porém falo com convicção que um coração endurecido é cego e mudo, não vê e nem sente as inspirações contidas que nesta obra está.
« Veni, Vedi, Vici »
Menção Honrosa
Escritora: Mar Soares
Artista: Sandra Hasmann
A escritora e a pena
O instinto é liberto
O espirito é livre
A alma é pura
E de tão doce que é,
faz da vida poesia
Com o poder da pena
faz tudo o que quer
Brinca com as letras
e com a vida
Atravessa mares e oceanos
Como de costume,
não pode se controlar
Escreve coisas incríveis
E se esconde
com medo de apanhar
Mas tem como poder
a pena
A escrita apenas
E o instinto poético ela tem
E a pena também
E diz:
Um dia serei uma estrela
Por onde eu caminhar,
vou levar comigo
meu instinto de rasgar
A insensatez
O instinto de libertar.
Menção Honrosa
Escritora: Marcia Etelli Coelho
Artista : Inês Vitória
A JARDINEIRA
O que se apresenta diante de mim?
Eu paro um segundo tentando entender
teu jeito tão simples, mas que mesmo assim,
atrai e fascina.. E eu pergunto: Por quê?
Depois de podar alguns tolos enganos,
aos poucos eu noto singela harmonia.
Um ar de quem cuida de todos os planos
e vence o pudor de se expor nesse dia.
Pareces surpresa ao me ver sem aviso.
Destinos se alinham: o meu com o teu.
Estás tão bonita, só falta um sorriso
que sirva de alento a quem muito sofreu.
Cenário de cores expressa o que eu sinto:
Vermelho, gracejo... Amarelo, sincero.
O azul me seduz a sonhar sem espinho.
No verde, o aconchego que ainda eu espero.
Carregas contigo um buquê de esperança,
os traços de abraços de flores se abrindo.
Ao ver-te resgato uma doce lembrança
do tempo em que o amor me dizia “bem-vindo”.
De ti me aproximo, trocamos segredos.
As sombras se calam na luz desse flerte.
Assim como tu estou livre de acervos.
És tela... Sou poeta... Prazer conhecer-te!
Um mágico instante e a atração se enternece.
Meus olhos, sorrindo, percebem por fim
que os breves encantos que a vida oferece
em ti se emolduram diante de mim.
Participação
Escritora: Angela Guerra
Artista: Ana de Andrade
O Elefante Azul
Mundinho de criança, o circo de antigamente ... Nada mais se comentava na cidadezinha: “O circo vai chegar! ... O circo vai chegar! ...” Postes e tapumes, engalanados, coloriam-se de cartazes! ... Na mente da criançada reinavam mágicos, com seus truques impressionantes; trapezistas, com músculos bem delineados, cujas acrobacias eram de tirar o fôlego; palhaços, tão engraçados; malabaristas, que não perdiam uma sequer!... E domadores, com suas feras ameaçadoras... Animais, hoje em dia, não se permitem mais ... Cada moedinha no cofre-porquinho, economizada para o ingresso... E aquela ansiedade! ... “Ainda faltam quantos dias?” “Será que chega hoje?” Os não-tão-crianças também já estavam animados, imaginando uma viagem à infância ...
Finalmente, o grande dia! A menina acordou cedo, escolheu seu vestido de domingo, o par de sapatinhos que ganhara no Natal... O circo era pertinho de casa ... Foram todos juntos – os colegas da escola. Eram vizinhos. Mas não ficou com eles; sentou-se próximo ao picadeiro... As atrações se sucediam; ela nem piscava ... Mas, quando trouxeram o e-le-fan-te a-zul, com seu olhar doce e seus arreios preciosos, tudo se eclipsou! Como era lindo! ... Personagem de sonho, daquele sonho secreto que acalentara por tanto tempo, quando admirava o brinquedo, na vitrine da loja, nas pouquíssimas vezes em que sua mãe a levara ao trabalho de faxina... Um dia, o pequenino elefante de pelúcia azul não estava mais lá... Alguma menina rica o havia comprado, para compor a decoração de seu quarto... Agora ele estava ali!!!... E era de verdade!!!... Dentro do olho da menina, e também do coração, o elefante se instalou e nunca mais a abandonou...
Participação
Escritora Betty Silberstein
Artista: Carmen Fonseca
Olhar Feminino
O olhar feminino é genuíno.
Pode ser furtivo, tempestivo
Efusivo, sugestivo, expansivo.
Às vezes, autoritário, quiçá solitário.
Em geral, afetuoso, carinhoso, dengoso
Luminoso, misterioso, insidioso
Delicioso, teimoso, esperançoso.
Desolado, dissimulado, delicado.
Cheio de vontade, com ou sem vaidade
E um teco de ingenuidade
Se põe desiludido, perdido, aborrecido
Enlouquecido, atrevido!
Na verdade, o olhar feminino é paciente
Surpreendente, convincente, competente.
Não deixa de ser resplandecente.
Sem dúvida, é simplesmente onisciente!
Participação
Escritora: Arahilda Gomes Alves
Artista: Torá Yuki
FÊNIX
Corre a vida retorcida
em pedaços de esperança
formatando o viver.
Colhe em campo distante
bem além do horizonte
o que plantou pra colher.
Vai tecendo em fantasia
versos molhando a alma
cantos singrando o mar.
Tal como Fênix procura
na dor flamante da sorte
nas trombetas, o som da morte
o esculpir de imolada criatura.
Pira de folhas tremula
em funesto crepitar
Fênix sangrando renasce
eternizando encantada face
do pássaro de fogo, a embalar
Qual berço-túmulo, o mito
na flauta de Pan, um grito:
da tela, em arco-íris de cores
explode todas as dores
Ressurge nova aquarela
Na Sagração da Primavera!
Escritora: Carmen Tereza Elias
Artista: Sheila Mann
SANGRO
Sangro com a pele ressecada de ilusão
Pela civilização forrada no avesso de quando o amor aumenta
Pela carne sem pecado e salvação
Pela saudade imensa em jornais, cola branca e verdades.
Sangro por pés e por mãos
Na pedra lisa da vida escorrida
Do trabalho, do descanso tortuoso,
Da barbárie que não me deixa amar
Sangro de esquecimento
De traição! De desgosto...
Sangro a vida nesses destroços
Em que o sonho existe sem imagem, carne ou merecimento.
Sangro pelo ventre que nasce
Pelo coração que morre
Pelo amor quando socorre
Pela alegria: couro tratado e longe da dor
Sangro por sentimentos famintos
Guardados e enclausurados feito pergaminhos
Contidos na escuridão que habita o corpo
Em momentos de conflitos intermináveis
Sangro para o coração saber
Que é permitido viver, sentir, ouvir e querer
Sangro a mata. Sangro o bem e o mal
Sangro escrita e civilização, despedida e sal.
Participação
Participação
Escritor: Francisco Evandro de Oliveira (Farick)
Artista: Vilson Palaro
A Potência del Potro
Desde que nasceu se tornara um magnânimo potro.
Esbelto e selvagem resplandecia por sobre a fazenda e campos que circundavam seu lar.
Ninguém o domava! Forte e com sua imensa potência...
Arredio, corria veloz pelas matas ciliares, dando o ar de sua presença.
Se falasse nossa língua diria como o Rei francês Luís XIV:
"Eu sou o rei! Vocês são meus súditos"!
Nenhum peão de boiadeiro ousava montá-lo sem vir beijar o solo, ele se tornara um potro indomável!
O tempo passou e eis que o indomável potro se transforma em um majestoso alazão.
Seu valor passou a ser uma fortuna.
Algumas palmeiras, pequeno bosque, um lago lhe servia de cenário de suas travessuras.
Os boiadeiros se divertiam felizes e sorriam quando um deles se esborrachava no chão na tentativa de montá-lo.
O agora alazão, a despeito de ser indomável, se tornara a fonte de felicidade dos habitantes da fazenda, porque sua fama já extrapolara as divisas da cidade e do Estado e muitos desejavam conhecê-lo.
Até sua partida para terras distantes, ninguém teve a primazia ou a ousadia de ser o primeiro a montá-lo e domá-lo.
Dele, todos sentem saudades e se lembram com carinho de sua vida na fazenda e dos peões de boiadeiro que ele derrubava.
Participação
Escritor: Hazel de São Francisco
Artista: Regina Maria Paixão
Palavra de Mulher
Silencio...
Na penumbra da sala um vulto de mulher. Do rosto pouco se via. Trazia os cabelos envolvidos com panos grosso de algodão. Manchas escuras num tom vermelho ferrugem tingiam o tecido.
Ruídos de passos. Alguém se aproxima. O silencio e quebrado e uma voz forte ressoa na sala abafada.
-Seu nome mulher? Um longo silencio seguido de soluços e um choro convulsivo.
Novamente a pergunta e repetida. –Seu nome mulher?
-Maria... Maria das Dores.
- Sobrenome? -Paixão.
-Documentos. Apenas a Certidão de Nascimento, na qual constava o nome da mãe, pai desconhecido.
O Escrivão da Policia registrava as informações para o B O enviar.
Entra uma Policial acompanhada por um Repórter do Jornal. Maria e fotografada passa pelo Corpo de Delito e é conduzida a P S Municipal.
Nas mãos calosas Maria levava apenas a Certidão de Nascimento e a foto-imagem da sua Santa Madrinha Nossa Senhora das Dores em seu Divino Pranto.
Participação
Escritor: Marcos Filho
Artista: Sonia Silvério Aymar
VIDA DE PESCADOR
UMA BATALHA DIÁRIA
Cicinho Paranágua é brasileiro, casado, pai de três filhos, caçula de cinco irmãos, filho de camponeses, pescador, amante da natureza e um grande sonhador.
Criado numa época, onde a pobreza era extrema e as condições de vida muito precárias, busca, atualmente, como chefe de família, levar o de melhor para as pessoas que tanto ama. Objetivo que o faz levantar da cama todos os dias, no meio da madrugada, para trabalhar. Uma rotina diária, que lhe dá a oportunidade de acompanhar o nascer do sol até chegar à praia do Pepinho, onde exerce suas atividades.
A bicicleta que o transporta até a praia se transforma, regularmente, em uma oficina ambulante para as suas pescarias. Nela, ele carrega uma marmita preparada por sua esposa, equipamentos de pesca, vara, molinete, rede, tarrafa, balde, barraca de sol e caixa de isopor (com iscas e água) fixados em torno da exótica bike. Já seu uniforme, bem característico de um pescador, é composto por uma simples bermuda, camisa, sandália, chapéu de palha e óculos de sol.
Cicinho Paranágua se destaca, em seu bairro, por conseguir manter seus próprios valores, perante as dificuldades, desafios e "tentações" que o mundo possa oferecer. Mantendo a honestidade, humildade, ética, caráter e outras qualidades, em um século onde há muitas desordens e facilidades - por meios ilegais - para ganhar dinheiro. Contudo, herdou dos pais uma educação exemplar, onde as dificuldades não são justificativas para seguir os caminhos errados, mas, sim, transformá-las em energias, para continuar lutando por uma vida melhor, saudável e de paz.
Seguindo estes princípios, Cicinho nunca se entregou ao mundo da violência, do tráfico, do alcoolismo e outras perdições. Preferiu o caminho certo, mais lento, mais trabalhoso e o mais honesto.
Ao sair de casa para o trabalho, Cicinho, serenamente, beija os seus filhos que dormem profundamente, e a esposa, que, na cozinha, termina de organizar suas refeições preparadas à noite do dia anterior.
Percebe que a família Paranágua leva uma vida difícil, de muita batalha, esforço, dedicação, persistência, sustentados por suas metas, objetivos e sonhos. Os pés e mãos, inchados, por exemplo, refletem seus sacrifícios. Para Cicinho, tudo que é fácil, há o que desconfiar! Este é um dos motivos para seguir uma vida digna, tentando, inclusive, ser um grande exemplo de pai, igual ao seu.
Sua preocupação sempre foi cooperar com a educação de seus filhos! Tudo que construiu até hoje tem origem, em conjunto, com as atividades da esposa que, usualmente, vende seus nobres produtos: os bolos de pote e os artesanatos feitos com as conchas marítimas, por exemplo.
Cicinho Paranágua e sua família pedem incansavelmente a Deus melhores condições para seu trabalho na praia. Sobretudo, por ser uma profissão que depende das condições climáticas, o que, na maioria das vezes, o fator sorte é um dos principais aliados para quem pesca. Da mesma forma, para com as demais eventualidades!
Até hoje, Cicinho nunca passou por momentos de dificuldades em suas pescarias, muito pelo contrário! Percebe-se que há uma grande fartura de peixes, vista por muitos como algo bem-sucedido, esplendoroso e abençoado. Sendo o alimento, a subsistência, o ganha-pão de muitos seres humanos! Nota-se que há uma afetividade ímpar de Cicinho com a natureza, mesmo utilizando-a como produto.
Um pescador que, sem sombra de dúvidas, representa o trabalhador, o cidadão, o chefe de família que não desiste de tentar fazer o melhor para os seus! Um ser humano que, incontestavelmente, é iluminado por Deus! Um ser humano que não perde a esperança e a fé de conquistar os seus propósitos! Que não desiste de seguir o caminho certo e o caminho do bem! Um exemplo, que se resume a uma única palavra: guerreiro.
Muitas pessoas, por várias questões, não tiveram oportunidades para iniciarem ou terminarem os seus estudos, que dirá as faculdades! Contudo, não importa o que você é, o que importa, é que faça algo bem feito, sem prejudicar a si mesmo e ao próximo, independentemente de suas atividades e escolhas!
Rumo à igualdade social! Rumo à vida saudável em todos os sentidos!
Viva o pescador!!! Viva o trabalhador!!!
Participação
Escritora: Maria Zulema Cebrian
Artista: Simon Abuhab
A existência segue...
Acreditamos que nossa capacidade de determinação nos permite concretizar planos e previsões particulares, singulares. No entanto, a vivência nos modifica sob o poder irrefreável do inconsciente coletivo ao qual nos associamos. Procuramos, inutilmente explicações para este tema desconcertante...
Paramentamo-nos de deus e transformamos a percepção de nossa realidade, ordenando-a em acordo às expectativas sociais.
Esquadrinhamos o mito de Pigmaleão rei da ilha de Chipre que se apaixonou por uma estátua que esculpira. Sua intenção era amar uma mulher que não pudesse ser libertina, nem envelhecer. Entretanto, a libertinagem tornou-se banal e, até valorizada; um fato real, do qual não escaparemos...
Maldiva era moderna, bonita, corpo escultural, inteligente, bem-sucedida, desejada por homens e mulheres. Entretanto, a vida, um período contínuo no qual se vive, apresenta indícios sorrateiros da idade, embrenha-se por nossa pele, dia após dia envelhecendo-nos.
Naquela manhã ensolarada, vestira-se elegantemente, penteara-se com esmero, prendendo os cabelos como ela gostava — ficava linda com eles presos —, maquiara-se. Não pudera resistir.
Apanhou o velho espelho, ganho aos quinze anos e, com tenacidade, passou a admirar suas rugas que impiedosas se apresentavam... perdeu-se em seus desejos...
Participação
Escritora: Rai D´Lavour
Artista: Neusa Barbosa
DESAFIANDO O MARACUJÁ
Maracujá...
Esta obra além de bela.
É também inovadora
Maracujá é uma erva curadora.
Olhando-a com atenção
Bem dentro desta imagem
Veio a mim a inspiração.
Esta obra é algo assim
Vinda do sobrenatural
Creio que foi produzida
Em estado de graça total.
Em relação ao fruto escolhido
Comparando ao seu valor
A imagem com certeza
Foi inspirada com muito amor.
Digo com sinceridade
A Artista é talentosa
Considero sua obra
Assim muito esplendorosa!
NEUSA BARBOSA
A sua obra é com certeza
A explosão de seu espírito
Unindo-se a natureza.
Eu poderia falar mais.
A respeito desta imagem
Porém, meus espaço é pequeno.
Mas, deixo aqui registrado.
A minha sincera homenagem
Resumindo. Parabéns!
Sua obra é admirável!
Participação
Escritor: Rogério Araujo (Rofa)
Artista: Regina Mendes
Jogo da vida, jogo da morte...
A vida mais parece um grande JOGO. E um jogo daqueles difíceis e não do SORTUDO que tem todas as cartas nas mãos. É uma partida a ser disputada, jogada a jogada.
É como um BARALHO com diversas nuances, como os seus naipes. Cada etapa tem seu ponto, sua conquista que vale mais ou menos. Nem tudo é OURO, valioso; nem tudo é aberto ou fechado em COPAS; muitas ESPADAS pelo caminho que cortam, ferem, decepcionam; e PAUS quando recebemos um revés que surpreende tudo e machuca.
Nem todas as pessoas têm atitudes louváveis, de REIS ou RAINHAS ou são nobres feito VALETES, pelo contrário, muitas que encontramos pela frente mais parecem plebeus, pobres de espírito, muito mais pelas atitudes do que pela condição social.
Infelizmente, não conseguimos em todos os momentos, bem que seria bem-vindo, ter um ÁS na manga do colete, para usar quando for necessário ou ainda um CORINGA para ter privilégios especiais, que parecem mais restritos à classe alta ou política, que tudo faz e tudo pode.
A vida é um eterno JOGO que se joga durante todos os anos. Uma partida que pode ser demorada, se longevo for esse tempo, ou curta se algo acontecer e a partida se encerrar. A pior parte é quando existe “roubo” ou má fé nas jogadas seja da própria pessoa ou dos adversários.
Essa “jogada da vida” também é motivo de comemoração, quando um VINHO é escolhido para degustação, desde que não deixe alto demais e sem noção, para que faça algo impensado e até mesmo dirija no trânsito tão tortuoso e louco em que vivemos e até morra...
E esse jogo não pode ser de AZAR ou de busca apenas pela SORTE, o sucesso. É preciso saber a hora de uma parada, analisando as CARTAS para não perder uma partida quase ganha, por ganância ou falta de sabedoria.
Podem ocorrer muitas situações na EMBARALHADA vida de cada um de nós, mas algo é considerado o maior JOGO CONTRA: A VIOLÊNCIA. Essa motivada por coisas fúteis ou que não são razões para roubar, ferir ou matar.
Que todos joguem o seu JOGO DA VIDA de maneira única, mas aprendendo com o que vê nas cartas dos outros e em suas jogadas, para não cometer os mesmos erros. E que seja VENCEDOR ou PERDEDOR nas mais diversas partidas que ela oferece.
Tenha um jogo da vida ou JOGO DA MORTE, que chegará exatamente na hora certa quando tem de ser. Ao menos que seja má jogada ou roubada, o que acaba não dando em nada...
Participação
Escritora: Zélia Fernandes Lima
Artista: Sheila Calhau
A PAZ DO NOSSO AMOR
Você entrou na minha vida, e me fez sonhar
Um grande amor nasceu entre nós dois,
Me fazendo oscilar... tremer e excitar...
É um lindo sonho, e cada dia sinto mais e mais
Você e teu amor, em meu coração...
Já sinto a falta do orvalhar do teu corpo...
Que se condensaria toda noite, sobre o meu...
No teu corpo, me perco e me encontro uma vez mais...
Me entrego pra você, sem medo, sem receios, sem barreiras...
Sinto o suor do teu corpo deslizando em meu peito
No teu corpo, minhas mãos deslizam...
Minha vida tem sido um amar sem fim...
Com o sol, alua e as estrelas o gosto do amor é mais perfeito
É um lindo sonho e só eu sei a paz que teus carinhos me traz..
O amor chega, se aconchega e não escolhe a hora de chegar...
No teu corpo, meu amor é mais perfeito...
Somos amantes...
Nossos gestos valem mais que todas as palavras...
Quero sempre nossas noites
Cortada de gemidos e sussurros...
Quero tudo... Tudo a dois...
O resto a gente deixa pra depois.